sábado, 30 de setembro de 2017

Conselho de uma mãe imperfeita

Todo mundo parece saber o que é melhor para o seu bebê, exceto…você.
Nos dão conselhos para o casamento não ir por água abaixo, nos dão conselhos para conciliarmos Maternidade X Carreira, nos ensinam a amamentar, nos incentivo a perder peso o mais rápido possível e a sempre que der, tirar um tempo para o casal.
A única coisa que eu não ouvi, de ninguém, foi: “PENSE EM VOCÊ”.
Ninguém me ensinou que para o meu casamento não afundar, eu deveria pensar em MIM, em primeiro lugar! Nem me disse que para o meu bebê estar TRANQUILO, *EU* deveria me tranquilizar, primeiro. Ninguém sequer me perguntou se EU queria realmente perder peso e se eu tinha tanta pressa pra isso.
A sociedade quer nos ensinar a ser mãe, profissional e esposa nota 10, mas não ensina que pra isso acontecer, é necessário se PRIORIZAR.
Nos dizem que todo nosso tempo é será do bebê, para aproveitarmos e dormimos o máximo que pudermos na gravidez, para evitarmos nossas comidas preferidas, para mantermos o cabelo mais curto pois é mais prático, e nossa sensualidade ativada para o marido “não sentir falta”.
Mas anulam completamente um fato importantíssimo: A FALTA QUE NOS CAUSAMOS, DE NÓS MESMAS.
Embora seja lindo e romântico dizer que mães viram super-heroínas, a verdade amiga, é que esses poderes não surgem instantaneamente, nem instintivamente, como pintam por aí. Esses “poderes” da maternidade, só aparecerão quando você estiver, de fato, EMPODERADA. Empoderada do seu novo papel no mundo. E isso só acontece quando nos ouvimos! Quando temos TEMPO para nos redescobrirmos pós-parto, pós-casamento, pós-maternidade.
Não fique pelos cantos se culpando por não ter mais libido, por não estar satisfazendo todas as vontades do parceiro, pois eu aposto que você não está satisfazendo nem as suas próprias.
Então, me permitem um conselho bem “dazesquerda” de uma mãe imperfeita?
PENSE EM VOCÊ ACIMA DE TUDO. Porque mais ninguém no mundo fará isso! Pelo contrário, parece que o mundo se esquece das mães…
Te soa egoísta ou utópico? Como uma mãe vai pensar em si mesma antes de pensar nos filhos?! É que pensando em você, se priorizando, não anulando todas as suas vontades, você elevará seus índices de serotonina, endorfina, que eleva a autoestima, que nos deixa confiantes, e tal confiança nos devolve o amor próprio, que nos dá tesão, tesão pelo parceiro e tesão DE VIDA que é o mais importante! O tesão nos dá FELICIDADE, motivação, empenho, e felizes nós driblamos os problemas muito melhor.
Uma mãe infeliz não pode criar filhos felizes. A equação não fecha.
Então antes de se doar absurdamente e absolutamente para quem quer que seja, guarde um pouquinho de si, para casos de emergência.
Comece a abandonar as culpas que e pesam tanto, e se preocupe mais consigo ao invés de escutar tanto a opinião alheia.
Seu filho não vai te achar uma mãe relapsa porque você vai à academia ou ao curso de bolos decorados. Ele não vai crescer te odiando porque teve que passar algumas tardes na casa dos avós ou tios…mas ele não se perdoará nunca, por achar que a sua chegada a este mundo tornou sua mãe frustrada e triste.

Esteja bem e eles estarão ÓTIMOS!
Não sou a favor de fazer promessas em vão. Mas te digo, não nasci para relacionamentos mais ou menos. Se chegar ao ponto do tesão não ser o mesmo, do respeito trocar de uma via de mão dupla para uma estrada em linha reta e do tal amor ficar escondido sob presenças casuais, prometo, desocupo os meus inteiros na manhã seguinte.

Algumas coisas não podem ser consertadas. Certos relacionamentos não foram feitos para durar. Alguns, com muita paciência e entrega, até duram umas boas estações. Mas são exceções, obviamente. Porque querer ficar com alguém é só o início de uma intimidade maior. Uma intimidade que depende da afinidade emocional entre os envolvidos. Vai além dos gostos em comum. E afinidade emocional é sinceridade, cumplicidade e amor mútuo. É quando o mais importante não é quem consegue ficar mais tempo sem dizer o que sente, mas sim quando ninguém precisa deixar de dizer o que está sentindo. Percebe a diferença?

Os meus inteiros não foram feitos para ficarem estacionados num amor qualquer. Se o que busco é um relacionamento composto de reciprocidade, devo ter em mente o momento certo para ancorar nas emoções de alguém e, a partir disso, também necessito estar em paz e sintonia com as minhas próprias intensidades. Espelhar expectativas sem antes cultivar um nível de autoconhecimento é a grande falha dos relacionamentos atuais. Como resultado, promessas e mais promessas vêm sendo quebradas com a justificativa do amor não ter dado conta.

Para relacionamentos mais ou menos, não nasci. Não tenho interesse, não aproveito, não sou a minha melhor versão. Porque não vejo sentido em prometer um amor que não está entregue, transbordando excitação e de mãos dadas com o daqui por diante.
Eu acredito que, na maior parte do tempo, somos as experiências que vivemos, as pessoas que amamos, as saudades que deixamos, as escolhas que fizemos. Por isso, tudo precisa estar em equilíbrio; qualquer linha solta, mesmo que no início de tudo, pode modificar o desenho final.

sábado, 2 de setembro de 2017

Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho.
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como podia ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.

Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.

(...)
Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existe morte para o que nunca nasceu.

(...)
Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Simplesmente isso. Você, uma pessoa sem poesia, sem dor, sem assunto para agüentar o silêncio, sem alma para agüentar apenas a nossa presença, sem tempo para que o tempo parasse. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza.

(...) sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria.
Tati Bernardi

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Porque você?
Instantaneamente eu consigo responder que é porque eu te conheço de outras vidas. A única pessoa que consegue quebrar toda a minha marra com um sorriso, isso já é tudo. Mesmo sabendo que você é muito mais, tudo mais. Obrigado pelo presente mais lindo da vida, pelo amor, pelo carinho, pelo cuidado, obrigado perante vida...

terça-feira, 28 de julho de 2015

Mais um ato (será que agora desato?)

Esse é mais um ato da minha vida, e só sei que, quando as cortinas fecharem, eu estarei feliz, realizada. Não interessa o número de espectadores, nem a quantidade de aplausos. O que realmente importa são aqueles na coxia, que estão ao seu lado mesmo quando o único recurso que resta é o improviso.

HBO- Alice

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...


Martha Medeiros

A Alegria na Tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Martha Medeiros

quarta-feira, 1 de abril de 2015